O FIM É O COMEÇO

Na exposição “O Fim é o Começo”, a artista plástica Vera Wildner nos apresenta uma obra de arte em forma de um mantra que cria e recria o tempo cíclico do Universo finito em que vivemos, trabalhamos, amamos e oramos . Vera Wildner recita essa prece em uma sequencia ritmica de oito tempos compassados nos oito quadros grandes, oito pequenos e oito oratórios. Uma oração da vida e da morte, do começo e do fim repetidos infinitamente desde os tempos primevos. Morte e vida se cruzam no ciclo cósmico também presente na alternância da noite que antecede o dia e do dia que precede à noite, na comogonia diária do Universo e de nós mesmos.

Do Preto ao Branco, do Fim ao Começo, o Eterno Retorno.

Vera Wildner recita o mistério da vida e da morte velado no organdi que cobre algumas telas e oratórios. Nas transparências dos panos entrevemos sem ver verdadeiramente o Fim e o Começo orado na obra-mantra.

A grande tela em tons negros une os dois polos.

Silêncio!

Meditação!

O Fim é o Começo!

Célia Maria Antonacci Ramos
É doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo e professora do CEART/UDESC (Centro de Artes na Universidade do Estado de Santa Catarina). Coordenadora do projeto “Poéticas do Urbano”.