Vera Wildner e sua Luz

É com satisfação que tento organizar algumas impressões sobre esta série de trabalhos de Verinha, encontro em suas pinturas aquela áurea de mistério a ser decifrado. Metáfora que se faz pintura, como é próprio da obra de arte.

Há certa reverência religiosa na imensidão dourada que nos envolve. Com a luz que tudo esclarece e concilia, constrói sua poética. Luz que ao mesmo tempo é suporte e véu, que encobre pinceladas disformes de onde Verinha “escava” signos ancestrais ou místicos. Luz que mostra signos de outras culturas e sutilmente incluem seu nome, repetidas vezes, que como mantras a incluem nesse universo. Luz onde a forma se forma mas também se dilui.

Num trabalho arqueológico, funde nesses grandes campos luminosos passado e futuro. Busca o entendimento fundamental, ancestral, talvez, recuperar na luz a alma do mundo.

Eleonora Fabre
Artista Plástica e Mestre em Artes Visuais pela UFRGS
Maio de 1998