O ponto de partida para a compreensão da pintura de Vera Wildner é a intuição. Mas cabe perguntar o que significa a intuição para o intérprete da arte?

Creio que a intuição faz parte de um processo de sensibilidade que penetra na intimidade das relações da natureza. Aproximando-se do que há de mais vivo e de mais palpitante na profundidade humana a intuição apreende a qualidade secreta das relações com a alma.

No caso específico da arte de Vera Wildner impõe-se a evidência não de uma intuição sensível, mas de uma intuição anímica e espiritual. A pintora afirma uma arte teórica e contemplativa no seu sentido mais nobre. Cumpre evocar a meditação de MAX BENSE na sua Estética:

“ Hoje conhecemos a dupla função da teoria: ordenar a experiência e a observação para construir um todo conexo, compreensível e descritível a logo, com a ajuda de outras teorias, que neste caso funcionam como janelas, sondas ou lentes, fazer possíveis novas experiências e observações”.

Se por um lado os quadros em azul de Vera Wildner resultam de uma tentativa de estabelecer a linguagem estética de modo autônomo e significante por si mesma, por outro lado a sua forma e a sua cor estão à serviço de uma mensagem espiritual de fé, de paz e de amor.

O contemplador encontra em sua obra um verdadeiro mantra da cor, que parece sugerir a existência de uma inteligência essencial criando a harmonia da nossa consciência e favorecimento a solidez da nossa paz interior.

Essa arte não tem precedente na natureza e não corresponde a algum modelo de seres ou coisas. Busca como arte de síntese, fixar as causas fundamentais da realidade no seu fundo universal e eterno.

Jaime Piterman